Carlos Afonso Pereira
Carlos Afonso Pereira nasceu em 1971. Depois de um percurso variado como actor, sentiu a necessidade de projectar as suas inquietações criativas através da encenação.
Escolhe David Hare como autor de eleição e encena em 2002 The Blue Room, resultado da adaptação da peça Reigen (mais conhecida pelo seu título francês La Ronde) de Arthur Schnitzler, a que se segue em 2003, Via Dolorosa do mesmo autor, uma análise na primeira pessoa, de um conflito que parece eternizar-se. Foi a sua primeira abordagem ao teatro político.
Em 2004, continuando um trabalho de divulgação da obra de David Hare, encena My Zinc Bed, uma peça que aborda a natureza das dependências humanas.
Com Fausto Morreu de Mark Ravenhill, 2005, inicia um ciclo de trabalhos que pretende desenvolver sobre a dramaturgia deste autor. A este seguiu-se em 2006 uma versão de Shopping and Fucking.
Em 2007 encenou, a partir do texto de David Hare The Permanent Way, um manifesto político sobre o poder do cidadão, a que chamou um Estado permanente.
Carlos Afonso Pereira pretende reflectir as suas obsessões numa dramaturgia que analisa de forma crítica as convenções humanas, sociais e políticas.
Em 2004, a sua lógica dramaturgica, a pesquisa e experimentação valeram-lhe os Prémios de Execução e Reposição O Teatro na Década, pelas encenações de My Zinc Bed e Via Dolorosa (respectivamente).
TERRORISTAS
"A ideia surgiu há cerca de um ano, enquanto vagueava sozinho pelas ruas de Zagreb e os meus pensamentos deambulavam sobre a solidão.
Quando era mais novo pensava que se ficasse sozinho no mundo, sobreviveria. Agora que olho para trás parece quase uma premonição.
Por momentos, imaginei-me um bombista suicida. Pensei na dor que me infligiram. Pensei na dor que infligi. Pensei em terrorismo. Pensei nas pequenas bombas que são postas diariamente no nosso caminho.
Já alguém te magoou ao ponto de lhe poderes chamar terrorista? Já magoaste alguém ao ponto de te poderem chamar terrorista?"
Carlos Afonso Pereira
"Terrorismo é um método que consiste no uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos, ou grupos políticos, contra a ordem estabelecida através de um ataque a um governo ou à população que o legitimou, de modo a que os estragos psicológicos ultrapassem largamente o círculo das vítimas e inclua o resto do território."
Nota: Segundo um estudo do Exército dos Estados Unidos da América de 1988 existe uma centena de definições da palavra Terrorismo.
"Como é que me podes julgar se não viveste a vida que eu vivi?"
A construção deste trabalho assenta nestas premissas, a inventariação e a imprevisibilidade das antigas e novas dimensões de terrorismo na sociedade contemporânea.
Carlos Afonso Pereira parte de testemunhos (recolhidos na internet, livros, documentários, imprensa, teatro, música, cinema) de terroristas, ex-terroristas, vítimas de terroristas, percorrendo o mundo desde o Uganda, Irlanda, Iraque, Palestina, Israel, Paquistão, Portugal, Espanha, abordando a dimensão mais comum de terrorismo e questionando a visão mais óbvia de terrorismo que temos no mundo actual.
Muito mais do que respostas, TERRORISTAS levanta questões sobre a condição humana.
A certa altura, numa entrevista, um psicólogo afirma que a diferença entre "nós" e os "terroristas" é muito pequena. Será?
Carlos Afonso Pereira procura ir de encontro a uma dimensão mais individualizada e pessoal a que poderíamos chamar de terrorismo íntimo.
Desde Novembro de 2007 tem procurado documentar essa dimensão através de diversas fontes, desde jornais, relatos pessoais que tem recebido por e-mail, entre outros, percebendo quão fácil é passar de terrorista a vítima, de agressor a agredido e vice-versa.
Este trabalho começou por ter um caracter vincadamente performativo. Durante o processo de criação, Carlos Afonso Pereira apercebeu-se que aquilo que pretendia ser um espectáculo, assentava na fusão destas duas dimensões de terrorismo e que seriam unidas pelo elemento voz/corpo/espaço. Como se todas estas dimensões de terrorismo se reconduzisse a uma só, o terrorismo como imanência humana por excelência. O espaço esse não se poderia limitar ao momento do espectáculo, pelo que o corpo, enquanto personificação de uma ideia deixou também ele de fazer sentido.
Assim nasceu a ideia de encenar uma exposição. Um pouco no seguimento de Fausto Morreu (2005) no qual encenou um texto projectado em 4 ecrãs, levando o espectador a ler o texto com os tempos que lhe quis dar, toldando-lhe a percepção do espectáculo, incutindo-lhe a sua dramaturgia (a morte da linguagem), com TERRORISTAS pretende encenar um texto como imagem fixa, sendo a presença física de um actor, naquilo que poderia ter sido somente uma performance, um eventual complemento.
Na continuação de uma linha de trabalho que apela ao espectador por uma participação activa na criação e na diluição das fronteiras entre criador/actor/espectador, com TERRORISTAS Carlos Afonso Pereira gostaria que os espectadores questionassem o objecto artístico e a possibilidade de uma dialéctica entre as artes performativas e as artes plásticas, alargando as dimensões e percepções possíveis do espectáculo teatral/performático.
TERRORISTAS
Criação_Carlos Afonso Pereira
Assistência Artística_Pedro Silva e Joaquim René
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
Co-produção_Metamorfose & 3+1 ARTE CONTEMPORÂNEA
Estreia_3 a 13 de Dezembro de 2008
3+1 ARTE CONTEMPORÂNEA
TERRORISTAS #2
Criação_Carlos Afonso Pereira
Fotografia_Margarida Dias
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
Co-produção_Metamorfose & 3+1 ARTE CONTEMPORÂNEA
Estreia_3 a 13 de Dezembro de 2008
3+1 ARTE CONTEMPORÂNEA
um Estado permanente
a partir de The Permanent Way de David Hare
“Porque é que as pessoas não estão zangadas?”
É este o mote de David Hare para falar da privatização dos caminhos-de-ferro Britânicos e dos acontecimentos que deram lugar ao acidente ferroviário de Southall.
E qual a relevância desta peça em Portugal?
Porque mais do que uma peça sobre os caminhos-de-ferro britânicos, esta peça aborda a falta de poder dos cidadãos nas democracias ocidentais. O poder de voto é um emblema da democracia, mas, a democracia esgota-se nesse mero poder?
A privatização dos caminhos-de-ferro britânicos levou a uma negligência grosseira que provocou o acidente de Southall. Nesta peça, existem pessoas reais que perderam familiares, amigos e conhecidos nesse acidente e que se questionam das razões que levaram às decisões sobre o destino da gestão dos caminhos-de-ferro britânicos, bem como a responsabilização dos políticos e gestores relacionados com a questão.
O teatro político é algo que tem estado arredado dos palcos portugueses e pretende-se com esta peça voltar a introduzir este género no quotidiano teatral português. E quando se fala de teatro político fala-se de teatro que aborde opções políticas e questione essas opções do ponto de vista do cidadão que vota e daquele que não vota.
É uma peça sobre pessoas reais e emoções reais e sobre a perda de força dos cidadãos nas democracias ocidentais. Sobre o voto. Sobre a abstenção.
a partir de The Permanent Way de David Hare
Tadução, Adaptação, Dramaturgia, Encenação e Interpretação_Carlos Afonso Pereira
Assistência de Encenação_Joaquim René
Espaço Cénico_Carlos Afonso Pereira e Pedro Silva
Design Gráfico_Wasscii does it better
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
_Estreia: 7 a 25 de Agosto de 2007
_6 a 11 de Novembro 2007
Os Dias da Água no Bairro Alto, Lisboa
Shopping and Fucking
Shopping and Fucking centra a sua história em 5 personagens que numa busca pela sobrevivência se agarram ao sexo, drogas e a tudo o que tenha um carácter efémero e que possa ser objecto duma transacção. É um universo em que as personagens perderam a fé na condição humana limitando-se a estabelecer relações comerciais em todos os aspectos das suas vidas.
As personagens de Shopping and Fucking evitam partilhar o que quer que seja porque também a partilha pode gerar situações de dependência e fragilidade. As relações pessoais assumem o mesmo cunho que as relações comerciais e o consumo é o derradeiro analgésico para a solidão e fragilidade humanas.
Ao contrário do que o título da peça poderia sugerir, o sexo é apenas o mote para reflectir sobre as dependências e a capacidade humana de transaccionar as próprias emoções, fazendo-se um paralelo entre a nossa fúria sexual e a nossa fúria consumista. A felicidade está no consumo de coisas materiais ou imateriais. Comprar e vender como motor do sexo e dos afectos. O Homem como produto de compra e venda, como produto derradeiro da Globalização.
Mark Ravenhill nasceu em 1966. Autor de Shopping and Fucking (Royal Court, 1996), tornou-se num dos mais aclamados autores britânicos da década de 90. Irónico por natureza, controverso em palco, as suas obras são sexuais, políticas e mordazes, num constante questionar da nossa sociedade. Depois de Shopping and Fucking (1996), seguiram-se Faust is Dead (1997), Handbag (1998), Sleeping Around (com Hilary Fannin, Stephen Greenhorn e Abi Morgan) (1998), Some Explicit Polaroids (1999), Mother Clap’s Molly House (2001), Totally Over You (2004), The Cut e Product (2005).
Texto_Mark Ravenhill
Tradução, Adaptação, Desenho de Luz e Encenação_Carlos Afonso Pereira
Assistência de Encenação_Joaquim René
Cenografia_Pedro Silva
Figurinos_Carlos Afonso Pereira e Joaquim René
Interpretação_Anabela Brígida, Carlos Afonso Pereira, Carlos Vieira, Miguel Moreira e Romeu Costa
Direcção Técnica_Vítor Mexia
Fotografia de Cena_Paula Nunes
Design Gráfico_Wasscii does it better
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
_18 de Julho a 6 de Agosto de 2006
Casa d’Os Dias da Água, Lisboa
Fausto Morreu
Fausto Morreu tem como ponto de partida o clássico de Goethe e conta-nos a história de um filósofo europeu, Alain, (personagem inspirada no pensador francês Michel Foucault) que é recebido na América como se de uma estrela pop se tratasse. Durante a sua estada em Los Angeles anuncia num talk show televisivo as suas reflexões sobre o fim do Homem e o fim da História, partindo depois para uma viagem pelo vasto território americano, que o leva ao curioso encontro com um indivíduo que, mais radical que Alain, nega a própria existência das coisas. Esta viagem acaba por assumir um paralelismo metafórico com a viagem que Alain inicia ao mundo dos alucinogéneos e da realidade virtual. E é neste delírio de informação doentia que Alain se deixa fascinar por um homem com uma obsessão doentia por lâminas e web cams, fazendo-o mergulhar definitivamente no império das novas tecnologias e a questionar o seu próprio pensamento.
É curiosamente num outro texto de Mark Ravenhill que Carlos Afonso Pereira encontra a base da encenação de Fausto Morreu. Em Shopping and Fucking lemos a determinada altura: “Daqui a alguns anos, será tudo virtual, já não nos encontraremos uns com os outros. Seremos uma espécie de hologramas. Poderemos ser quem quisermos, mas não nos vamos querer encontrar porque poderemos ser diferentes dos nossos hologramas.”.
O espectador oscila no seu papel entre o voyeur, o confidente e o cúmplice de uma realidade muito presente na nossa sociedade, dando continuidade à relação criador /público que Carlos Afonso Pereira tem vindo a explorar.
Ao encenar Fausto Morreu o encenador apresenta o seu próprio testemunho filosófico sobre a nossa sociedade e os heróis por esta rejeitados.
“C’est dans l’oeuvre que l’homme trouve son abri et sa place” Michel Foucault 1973
Texto_Mark Ravenhill
Tradução, Adaptação, Encenação e Interpretação_Carlos Afonso Pereira
Assistência de encenação_Joaquim René
Cenografia_Pedro Silva
Direcção Técnica_Vítor Mexia
Design Gráfico_Wasscii does it better
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
_Estreia: 1 a 11 de Dezembro de 2005
_3 a 15 de Janeiro de 2006
Casa D’Os Dias da Água, Lisboa
My Zinc Bed
Prémio de Execução O Teatro na Década 2004
My Zinc Bed é uma peça para três personagens: Paul, um jovem poeta e jornalista (por necessidade) do pior jornal do mundo e que é incumbido de entrevistar Victor, um empresário de sucesso, um marxista convertido ao capitalismo e ao negócio florescente da Internet.
Victor conhece a poesia de Paul, a sua dependência do álcool, o que logo à partida o deixa em vantagem no jogo que intenta com Paul: desafia-o para beber um copo, uma única vez. Este desafio funciona como teste à própria capacidade de Paul controlar a sua força de vontade e o seu desejo. Da tentativa de entrevista resulta que Paul passe a trabalhar na empresa de Victor.
Victor é casado com Elsa, ex-toxicodependente. Elsa e Paul acabam por se envolver descobrindo uma vulnerabilidade partilhada por ambos. Paul confessa-lhe que não a consegue amar sem o álcool, o “suplemento mágico” que o ajuda a confrontar-se com os seus sentimentos e fraquezas.
Victor atira a sua esposa para os braços de Paul numa tentativa de salvar o seu casamento com Elsa, percebendo quão similar é a relação que Paul desenvolve com Elsa com a que outrora o ligou a Elsa. No entanto, Elsa depende de Victor para não cair novamente na dependência.
Victor acaba por morrer num acidente de automóvel, tendo da autópsia resultado que apresentava índices de álcool três vezes superiores aos legalmente autorizados.
Com esta peça Carlos Afonso Pereira analisa a crise de valores que prolifera nos meios religiosos, políticos e sociais da Grã-bretanha. No entanto, esta crise de valores extravasa o contexto da sociedade britânica assumindo uma dimensão universal, ao assumir a dependência (the adiction) nas suas múltiplas dimensões, como a moda mais recente. Desta forma, My Zinc Bed pode situar-se no Portugal moderno e na sociedade Ocidental contemporânea: a crise de confiança individual e colectiva, a menorização dos valores em favor das compulsões, o medo de arriscar, os olhos dos outros como motor das acções. “A única coisa que nos aprisiona é o medo da opinião das outras pessoas” diz uma das personagens, estar à espera que a sociedade aceite as nossas crenças, viver segundo o lema “divertirmo-nos o máximo que podemos antes que se morra”.
Texto_David Hare
Tradução, Adaptação, Encenação_Carlos Afonso Pereira
Assitência de Encenação_Joaquim René
Espaço Cénico_André Murraças e Carlos Afonso Pereira
Figurinos_André Murraças
Interpretação_Anabela Brígida, Carlos Afonso Pereira, Miguel Moreira
Direcção Técnica_Vítor Mexia
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
_9 a 26 de Setembro de 2004
na Casa Conveniente, Lisboa
Via Dolorosa
Prémio de Reposição O Teatro na Década 2004
Via Dolorosa é um monólogo que aborda o conflito no Médio Oriente, partindo de uma viagem que David Hare efectuou a Israel e à Palestina. Visita Tel Aviv, Jaffa, Ramallah, Gaza, Jerusalém, fala com líderes políticos e religiosos, judeus, muçulmanos, cristãos, procurando assim reflectir sobre os pilares nos quais assenta a questão da Palestina – religião e nacionalismo.
Via Dolorosa, o percurso que Jesus Cristo efectuou desde a sua condenação à morte até à crucificação será naturalmente uma referência incontornável nesta encenação, celebrando cada paragem e cada percurso de David Hare nos territórios em conflito como momentos de exaltação das grandes questões que dividem israelitas e palestinianos.
A transitoriedade do espaço escolhido, objectivam a ideia de peregrinação, como se a viagem de David Hare assumisse uma dimensão religiosa, de procura de um sentido divino para a questão que divide Israel e a Palestina, procurando-se da relação intima espaço/texto celebrar o teatro como um espaço de informação e intervenção.
Carlos Afonso Pereira tem trabalhado regularmente enquanto actor com vários encenadores e realizadores, tendo iniciado o seu próprio trabalho enquanto encenador em 2002 com a peça “The Blue Room” de David Hare.
David Hare é um dos mais importantes dramaturgos britânicos contemporâneos, ao lado de Tom Stoppard e Harold Pinter. Entre as suas peças mais conhecidas destacam-se “Skylight”, “My Zinc Bed”, “Judas Kiss”, “The Blue Room” e “Via Dolorosa”. Recentemente David Hare foi o responsável pela adaptação do romance “The Hours” de Michael Cunningham ao grande ecrã.
Texto_David Hare
Tradução_Carlos Afonso Pereira e Mafalda Santos
Encenação e Interpretação_Carlos Afonso Pereira
Concepção Plástica_Pedro Silva
Assistência de Encenação_Joaquim René
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
_Estreia: 6 de Novembro a 6 de Dezembro 2003
Pavilhão 21C do Hospital Júlio de Matos, Lisboa
_7 a 30 de Outubro 2004
Pavilhão 27 do Hospital Júlio de Matos
_7 a 10 de Junho 2006
Círculo de Arte e Recreio, Festivais Gil Vicente, Guimarães
The Blue Room
The Blue Room é o resultado da adptação da peça "La Ronde" de Arthur Schnitzler. Dez quadros em que vários homens e
mulheres se encontram e desencontram, abordando o tema do sexo como poder, escape e mera comodidade.
Toda a peça assenta num conjunto de encontros, de propostas, de recusas, de medos, de hesitações que convergem para a desilusão final.
A forma circular como estão estruturados os diversos quadros de The Blue Room, em que cada diálogo se relaciona directamente com o diálogo anterior, confronta-nos com o caracter efémero das nossas relações. Os quadros repetem-se, as personagens mudam, mas em cada nova sequência algo se acrescenta aos quadros anteriores, formando mesmo assim uma unidade absoluta.
As personagens de The Blue Room, ora sedutoras ora seduzidas, caminham inevitavelmente para a solidão. Seres que permanecem anónimos antes e depois de fazerem sexo.
Texto_David Hare
Encenação_Carlos Afonso Pereira
Assistência de Encenação_Joaquim René
Interpretação_Alexandra Gonçalves e Carlos Afonso Pereira
Cenário e Figurinos_André Murraças
Vídeo_Carlos Afonso Pereira e Joaquim René
Design Gráfico_Javi
Produção_Mafalda Santos e Joaquim René para a Metamorfose
_9 de Fevereiro a 9 de Março
Teatro Taborda, Lisboa
metamorfose